segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Hip Hop Na China

A uma semana dos americanos se ligarem no Super Bowl, outro mega-evento televisivo vai começar no outro lado do globo. No domingo, espera-se que mais de meio bilhão de pessoas assista às festividades do Ano Novo Lunar chinês.

Organizada pela estatal Central de Televisão da China, a maratona de eventos exibe a diversidade musical do país com um extenso repertório de estrelas do pop chinesas apresentando canções de sucesso. Mas um gênero que os telespectadores provavelmente não verão é o hip-hop chinês, apesar de sua crescente popularidade em meio à juventude urbana do país.

Na última década, muitos estudantes e trabalhadores chineses escreveram rap como uma forma de expressão pessoal. Mais duro e rebelde que o pop asséptico que domina nossas ondas de rádio, esse tipo de hip-hop não é sancionado por produtores midiáticos de rádio ou censores do Estado, mas conseguiu atrair uma base popular de fãs.

"O hip-hop é livre, como o rock'n'roll - podemos falar sobre nossas vidas, o que pensamos, o que sentimos," disse Wang Liang, 25, popular DJ de hip-hop na China, onde é conhecido por Wordy.

Embora rappers americanos, como Eminem e Q-Tip, sejam populares na China desde os anos 90, o rap local não ganhou espaço até a década seguinte. O grupo Yin Ts'ang (cujo nome significa "escondido"), um dos pioneiros do rap chinês, é formado por nômades globais: um chinês de Pequim, um sino-canadense e dois americanos.

"O sistema educativo chinês não encoraja a expressão de sua personalidade. Eles alimentam o aluno com regras de Estado através de livros passados de geração a geração há milhares de anos. Não há muita oportunidade para a expressão pessoal ou de pensamento; a diferença é desencorajada".

"A grande mudança foi quando os rappers passaram a escrever versos em chinês para as pessoas entenderem," disse Zhong Cheng, 27, membro do grupo que foi criado no Canadá, mas nasceu em Pequim, aonde retornou em 1997. "Antes disso, a garotada escutava hip-hop em inglês, mas talvez menos de 1% realmente conseguia entender."

O primeiro sucesso de Yin Ts'ang foi In Beijing, do álbum de estréia de 2003, Serve the People (Scream Records); o título deturpa um antigo slogan político. Ele traz a melodia de um violino chinês de mil anos, chamado Erhu, com uma batida de hip-hop que lembra Run D.M.C. A canção, uma visão local das paisagens e sons de Pequim, cativou a cena musical underground, chegando ao karaokê, à internet e até a uma estação de rádio de Pequim.

"Muita gente pode fazer rap em casa", disse Jeremy Johnston, membro do grupo e filho de um capitão da Força Aérea americana. "Mas nem todo mundo pode fazer rap em chinês". Quando Johnston, 33, se mudou para Pequim no final dos anos 1990, disse, o rap era "uma coisa que mais ninguém estava fazendo."

Desde In Beijing, a cena do hip-hop chinês cresceu rapidamente. O site hiphop.cn, que lista eventos e links de músicas, começou com apenas algumas centenas de membros em 2007; em 2008, recebeu milhões de visualizações, de acordo com um dos diretores do site.

Dezenas de clubes de hip-hop foram abertos pelas cidades do país, e milhares de raps e videoclipes de MCs chineses estão se espalhando pela Internet. Mas o hip-hop chinês é ainda uma atividade relativamente sem lucros - e geralmente subversiva.

The New York Times




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